Sunday, November 19, 2006

À descoberta das laranjas...

Saturday, November 18, 2006



Para a Yannick:

Canção de Novembro a Abril

O céu nublado põe os meus olhos brancos.

Eu, para dar-lhes vida, chego-lhes uma flôr amarela.

(Entre os meus ombros voa a minha alma dourada e plena)

O céu de Abril põe os meus olhos anil.

Eu, para dar-lhes alma, chego-lhes uma rosa branca.

Não consigo fundir o branco no anil.

(Federico Garcia Lorca)

Era uma vez,
a valorosa Inês
montada no burrinho
teimosinho e magrinho.
"Anda Matias!"
"Matias, não pias!"
E lá foi: toc, toc,
ploc,
a valente Inês.
E era uma vez.

Jardim ( secreto ) do Palácio das Necessidades




Jardim do Palácio das Necessidades, 12 de Novembro, Domingo.
Jardim deserto ( o que não é mau, em Lisboa é quase impossível encontrar sítios desertos nos dias que correm... ), mas totalmente votado ao abandono...





Sunday, November 05, 2006

Novembro,
entre chuvadas
um passeio na Serra.
Muita água, castanhas,
medronhos e salamandras.




Vivei na casa - e a casa viverá.
Eu invocarei qualquer século
E nele construirei a minha casa.
É por isso que os vossos filhos estão a meu lado
E as vossas mulheres, todos sentados a uma mesa,
Uma mesa para o bisavô e para o neto.
O futuro cumpre-se aqui e agora,
E se eu ao de leve ergo a minha mão diante vós
Só ficareis com estes cinco raios de luz.
Com omoplatas como vigas mestras
Eu sustentei cada dia que engendrou o passado,
Com a vara do agrimensor eu medi o tempo
E viajei através dele como pelos Montes Urais.

Arseni Tarkovski
...mais céus, 1 de Novembro.



O tempo, como o mundo, tem dois hemisférios: um superior e visível que é o passado, outro inferior e invisível, que é o futuro. No meio de um e outro hemisfério ficam os horizontes do tempo, que são estes instantes do presente que imos vivendo, onde o passado se termina e o futuro começa. Desde este ponto toma o seu princípio a nossa História, a qual nos irá descobrindo as novas regiões e os novos habitadores deste segundo hemisfério do tempo, que são os antípodas do passado. Oh que coisas grandes e raras haverá que ver neste novo descobrimento!... Ouvirá o Mundo o que nunca viu, lerá o que nunca ouviu, admirará o que nunca leu, e pasmará assombrado do que nunca imaginou.
Padre António Vieira