Sunday, December 31, 2006




gelo na manhã de 22 de Dezembro

Sunday, December 17, 2006


nocturno, Dezembro 06

Friday, December 08, 2006



Nascer do Sol - 1 de Dezembro 2006

Sunday, December 03, 2006

"Hello, is what a mirror says."
- E. E. Cummings

Olhando as linhas
que o espelho me devolve
verifico:
facilmente o meu rosto
se descompõe
e a minha cara fica outra.
É uma questão de segundos,
e o rosto muda,
mudam os olhos
com que vejo o meu rosto,
muda a minha cara,
outra vez.
L'HISTOIRE D'ANTON TCHEKOV
Elsa Triolet

Les Éditeurs Français Réunis, 1954


"- Serei lido durante sete anos ou sete anos e meio, disse Tchekov à escritora Stchepkina-Koupernik, - em seguida serei esquecido.
Mas, uma vez, acrescentou:
- Depois, passar-se-á ainda algum tempo e recomeçarão a ler-me, e, dessa vez, serei lido durante muito tempo.

Aqui estamos. Estamos nessa vez em que se lerá Tchekov durante tanto tempo que, do nosso ponto de vista humano, esse «durante muito tempo» se chamará «sempre».

Tchekov, «écrivain éternel qui nous énivre», chama-nos a segui-lo nesse futuro em que florescem as cerejeiras."

Sunday, November 19, 2006

À descoberta das laranjas...

Saturday, November 18, 2006



Para a Yannick:

Canção de Novembro a Abril

O céu nublado põe os meus olhos brancos.

Eu, para dar-lhes vida, chego-lhes uma flôr amarela.

(Entre os meus ombros voa a minha alma dourada e plena)

O céu de Abril põe os meus olhos anil.

Eu, para dar-lhes alma, chego-lhes uma rosa branca.

Não consigo fundir o branco no anil.

(Federico Garcia Lorca)

Era uma vez,
a valorosa Inês
montada no burrinho
teimosinho e magrinho.
"Anda Matias!"
"Matias, não pias!"
E lá foi: toc, toc,
ploc,
a valente Inês.
E era uma vez.

Jardim ( secreto ) do Palácio das Necessidades




Jardim do Palácio das Necessidades, 12 de Novembro, Domingo.
Jardim deserto ( o que não é mau, em Lisboa é quase impossível encontrar sítios desertos nos dias que correm... ), mas totalmente votado ao abandono...





Sunday, November 05, 2006

Novembro,
entre chuvadas
um passeio na Serra.
Muita água, castanhas,
medronhos e salamandras.




Vivei na casa - e a casa viverá.
Eu invocarei qualquer século
E nele construirei a minha casa.
É por isso que os vossos filhos estão a meu lado
E as vossas mulheres, todos sentados a uma mesa,
Uma mesa para o bisavô e para o neto.
O futuro cumpre-se aqui e agora,
E se eu ao de leve ergo a minha mão diante vós
Só ficareis com estes cinco raios de luz.
Com omoplatas como vigas mestras
Eu sustentei cada dia que engendrou o passado,
Com a vara do agrimensor eu medi o tempo
E viajei através dele como pelos Montes Urais.

Arseni Tarkovski
...mais céus, 1 de Novembro.



O tempo, como o mundo, tem dois hemisférios: um superior e visível que é o passado, outro inferior e invisível, que é o futuro. No meio de um e outro hemisfério ficam os horizontes do tempo, que são estes instantes do presente que imos vivendo, onde o passado se termina e o futuro começa. Desde este ponto toma o seu princípio a nossa História, a qual nos irá descobrindo as novas regiões e os novos habitadores deste segundo hemisfério do tempo, que são os antípodas do passado. Oh que coisas grandes e raras haverá que ver neste novo descobrimento!... Ouvirá o Mundo o que nunca viu, lerá o que nunca ouviu, admirará o que nunca leu, e pasmará assombrado do que nunca imaginou.
Padre António Vieira

Sunday, October 22, 2006





Dias de chuva violenta,
dias de não apetecer fazer nada
com a noção de ter muito para fazer,
tudo coisas chatas
que não apetece nada fazer.

Thursday, October 19, 2006

Aborrecimento total
num domingo de Outono.
Sentes-te bem?
Claro que não!



Dia de Outono (Rainer Maria Rilke)

Senhor: é tempo. O Verão foi muito longo,
Projecta a Tua sombra nos relógios de Sol
E nas áleas desencadeia os ventos.

Ordena aos teus últimos frutos que fiquem plenos,
Dá-lhes ainda mais dois dias sulistas,
Impele-os à perfeição
e faz correr a sua última doçura para o vinho pesado.

Quem agora não tem casa, nunca a construirá,
Quem agora está só, assim ficará por muito tempo,
Crescerá, lerá, escreverá longas cartas,
E, para cima e para baixo, nas avenidas,
Inquieto caminhará enquanto as folhas voarem.

Sunday, October 15, 2006



Simão tem dois anos.
Não, Simão tem... três anos... ?
Inês e Leonor fazem um bolo.


Última visita do Francisco a Castelo de Vide

Yannick

Ina

Inês, Simão e Yannick

Francisco

Agosto 2006